Sentença da 4ª Vara Cível de Londrina reconheceu abuso na abordagem realizada por Santão e determinou indenização de R$ 20 mil à ex-vereadora Mara Boca Aberta.
Por: Portal Tarob - 10 jun 2026
A Justiça de Londrina condenou o vereador e policial rodoviário federal afastado Santão ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais à ex-vereadora Mara Boca Aberta.
A decisão foi proferida nesta terça-feira (9) pelo juiz Jamil Riechi Filho, da 4ª Vara Cível de Londrina.
A sentença julgou procedente a ação movida por Mara Boca Aberta, que alegou ter sido vítima de uma abordagem física abusiva e desproporcional ocorrida em 15 de maio de 2025, nas dependências da Central de Flagrantes da 10ª Subdivisão Policial de Londrina.
Segundo os autos, a ex-vereadora foi alvo de uma prisão considerada ilegal e de exposição vexatória após receber voz de prisão sem situação de flagrante ou ordem judicial.
Conforme relatado no processo, ela teria sido arrastada pelo braço e empurrada para o interior da delegacia, sofrendo lesões corporais e forte abalo emocional.
Durante o processo, Santão sustentou que agiu em estrito cumprimento do dever legal, alegando que a ex-parlamentar teria cometido desacato.
No entanto, o magistrado entendeu que as provas apresentadas demonstraram excesso na conduta adotada.
Entre os elementos analisados pela Justiça estão vídeos, fotografias e um laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML), que confirmou uma lesão corporal compatível com a versão apresentada por Mara Boca Aberta.
VEJA O QUE DIZ MARA BOCA ABERTA
"Justiça sendo feita! Que sirva de exemplo para que ele não faça o mesmo com outras pessoas. Em um momento de significativo aumento da agressão e da violência contra a mulher, espero que outras mulheres sigam o meu exemplo: denunciem e acreditem que a justiça será feita.
Ele me agrediu moralmente, psicologicamente e, como mostram as imagens, também fisicamente. Trata-se de uma pessoa que é autoridade na cidade e que deveria dar exemplo a toda a população.
A minha satisfação não é pelo valor financeiro — tanto que vou doá-lo —, mas sim pela condenação dele pelo ato. Sou mãe e avó, e ele atingiu toda a minha família, inclusive a minha neta pequena que mora comigo. A covardia do seu ato e a humilhação me causaram graves danos morais, especialmente quando, em suas entrevistas, ele se referiu a mim como 'meliante', tentando manchar a minha imagem."
